Vitamina D: uma alternativa para o tratamento de doenças autoimunitárias

Esclerose múltipla, lúpus, fibromialgia, artrite reumatoide, vitiligo, psoríase, entre outras doenças podem ser tratadas com altas doses da vitamina D

Em entrevista à edição do jornal EAMB, o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), falou a respeito do tratamento das doenças neurodegenerativas e das autoimunes, com altas doses de vitamina D. Ele afirma que os níveis baixos da vitamina trazem muitos prejuízos à saúde dos brasileiros e faz com que o País crie uma geração de pessoas com capacidade intelectual limitada.

“A ingestão diária de uma dose de 10 mil unidades de vitamina D, por todas as gestantes seria uma revolução: nasceriam crianças de alta capacidade de aprendizado e em 10 anos o país teria uma geração de jovens capazes de produzir tecnologia de ponta; a possibilidade do nascimento de crianças com retardo por causa da microcefalia seria dramaticamente reduzida, ocorrendo o contrário, o nascimento de superdotadas”, afirma.

Segundo o médico, com concentrações adequadas de vitamina D, a placenta produz substâncias que destroem vírus, protozoários, bactérias, ou qualquer germe que possa provocar algum tipo de infecção.

“A ingestão de 10 mil uni-dades da vitamina D pelas gestantes, pode quase erradicar a microcefalia provocada pelo Zika e outros vírus. É uma medi-da barata e eficaz. Se elas não tivessem deficiência de vitamina D, não haveriam tantas doenças”, defende.

Confira a entrevista completa:

EAMB >>Onde encontramos a vitamina D?

Nossa única fonte real é a radiação solar. A quantidade de vitamina D presente nos alimentos é insignificante. Uma pessoa jovem de pele clara consegue produzir cerca de 10 mil unidades de vitamina D, com pouco tempo de exposição da superfície quase total do corpo e em posição horizontal ao sol forte, diariamente, durante 20 minutos, sem protetor solar - porque ele impede a produção desse hormônio – , contrastando com o que é indicado na clínica. A pessoa mais velha precisará de mais tempo de exposição para produzir a mesma quantidade de um jovem. O acúmulo de novos conhecimentos nos últimos anos demonstra que necessitamos de suplementação da vitamina D em doses muito superiores àquelas que se mantêm sendo recomendadas na prática médica. À medida que envelhecemos tornado-nos mais resistentes aos efeitos da vitamina D, de forma que a população idosa pode necessitar de doses ainda maiores. 

A vitamina D é extremamente importante para o sistema nervoso, tem funções mais amplas e diversificadas do que os hormônios e recebeu o nome de vitamina por um erro histórico, numa época em que descobriram a substância no óleo de fígado de bacalhau, para curar o raquitismo. É mais do que um hormônio.

>>Para produzir a vitamina D precisamos de sol forte. Como fica a cultura da sociedade sobre a necessidade do uso do protetor solar?

Vivemos numa pandemia mundial de deficiência de vitamina D. O uso indiscriminado do bloqueador para proteger a pele do sol favorece o surgimento de doenças neurodegenerativas, crianças com autismo, e uma série de outros problemas de saúde.

>>O que pode provocar a carência de vitamina D?

A carência desse hormônio aumenta o risco de mais de 16 tipos diferentes de câncer, favorece o aparecimento de diabetes, hipertensão, abortos no início da gestação, microcefalia por infeção cerebral (encefalite) pré-natal, além de estar correlacionada com doenças neurodegenerativas e autoimunes, como Esclerose Múltipla, Alzheimer e Parkinson. Se toda a população adulta tomasse apenas 5 mil UI de vitamina D diariamente, possivelmente, diminuiria cerca de 40% o número de novos casos de câncer.

Se estima que no inverno numa cidade urbana como São Paulo quase 80% da população é deficiente em vitamina D.

A pandemia mundial de deficiência de vitamina D deixa o sistema imunológico enfraquecido e desregulado. Assim, nosso sistema imunológico deixa de fazer o que deve (reagir com eficiência contra os microrganismos causadores de doenças – tais como a tuberculose que, ressurgida com força total em paralelo com a pandemia mundial de deficiência de vitamina D, atualmente agrega 9 milhões de novos diagnósticos por ano e leva à morte 4.000 pessoas por dia em todo o mundo) e faz o que não deve, ataca nosso próprio organismo, ocasionando doenças autoimunes como a síndrome de Guillain-Barré, diabetes do tipo 1, artrite reumatoide, lúpus, esclerose múltipla, hepatite autoimune, cirrose biliar primária, espondilite anquilosante, miastenia gravis, polimiosite, psoríase, neurites ópticas e uveítes que podem levar à cegueira, e tantas outras.

Não tenho receio algum de afirmar, também de forma categórica, que as trágicas epidemias que periodicamente assolam o País (de Zika, Dengue e Chikungunya) não ocorreriam com a intensidade e frequência que estamos presenciando se houvesse sido estabelecida há vários anos uma política de saúde pública voltada para a correção da hipovitaminose D com a utilização de doses corretas, muito superiores àquelas que são ainda atualmente praticadas no Brasil.

>>Como é o tratamento de doenças autoimunitárias com a vitamina D ?

Basta usar a dose de vitamina D receitada por um médico treinado (megadoses diárias ajustadas individualmente conforme exames de laboratório), seguir uma dieta livre de alimentos ricos em cálcio - evitando produtos lácteos e outros alimentos artificialmente enriquecidos com cálcio, como “leite” de aveia, arroz ou de soja - e hidratação de, no mínimo, 2 litros e meio de líquidos por dia. Com a dose correta não é necessário nenhum outro medicamento, bastando controlar o emocional, evitar banhos excessivamente quentes, tabagismo, consumo frequente de álcool e prevenir infecções urinárias recorrentes.

A atrite reumatoide agride as articulações, o vitiligo e a psoríase agridem a pele, a miastenia agride o local onde o nervo que se conecta ao músculo, a polimiosite agride o músculo, a esclerose múltipla agride o cérebro e a medula espinhal, o lúpus agride os vasos sanguíneos, a fibromialgia agride os músculos, tendões e ligamentos. Para essas e outras doenças são indicadas doses elevadas de vitamina D, acima de 10 mil unidades. O tratamento é feito por médico treinado em usar doses altas. Existem preparações tópicas com a vitamina para o tratamento de psoríase.

>>O tratamento promete a cura?

O tratamento consegue deixar a doença desligada, suprimida, sem manifestações, enquanto estiver usando as altas doses de vitamina D, e é indispensável seguir a dieta, a hidratação e outras recomendações.

>>Onde o tratamento pode ser encontrado?

Médicos de países da Europa, Estados Unidos, Canadá e de vários outros lugares do mundo estão sendo treinados por nós para realizarem o tratamento com as doses elevadas de vitamina D. O médico que tiver interesse em participar do treinamento, pode entrar em contato conosco através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. No link https://vitaminadporumaoutraterapia.wordpress.com/contatos-de-medicos/ você encontra os contatos de médicos no Brasil que realizam o tratamento com vitamina D baseados no protocolo desenvolvido por nossa equipe.

>>Porque existem críticas sobre esse tipo de tratamento e não existe tanto empenho para divulgá-lo?

Talvez porque estamos indo na contramão do interesse econômico da indústria farmacêutica que tem profunda influência na seleção das informações transmitidas no meio médico através do patrocínio de congressos e publicações. As doenças autoimunitárias (e doenças crônicas em geral) produzem lucros anuais de dezenas de bilhões de dólares para a indústria de medicamentos que, como qualquer empresa, via de regra prioriza o lucro acima de tudo. Drogas recentemente patenteadas são frequentemente lançadas no mercado farmacêutico a custos muito elevados, mesmo com graves efeitos colaterais já reconhecidos, mediante promessas de sucesso terapêutico fundamentadas em estudos financeiramente patrocinados pela própria indústria produtora. Depois de vários anos de uso grupos de pesquisadores independentes demonstram a ineficácia desses produtos, tal como recentemente ocorreu com o emprego de interferonas para o tratamento da esclerose múltipla. O financiamento de tais produtos tem progressivamente levado à falência os sistemas de saúde em todo o mundo, mas a forte atividade lobista da indústria junto a formadores de opinião e administradores não permite a sua substituição por recursos de fato efetivos e de baixo custo, voltados para o combate às causas das doenças e não apenas aos seus efeitos.

Estima-se que, em 2017, só a esclerose múltipla produzirá um lucro de 17 bilhões de dólares para a indústria farmacêutica.

>>Qualquer pessoa pode ir na farmácia, comprar a vitamina e tomar altas doses para curar doenças?

O uso de altas doses de vitamina D pode causar sérios riscos à saúde caso o paciente não esteja sendo acompanhado por um médico habilitado a ajustar a dose diária de acordo com o grau de resistência individual aos efeitos da vitamina. Tal resistência tem sido documentada por diversos estudos e tem origem genética (por isso a presença de parentes portadores da mesma doença ou de outras doenças autoimunes). Uma pessoa saudável, pode utilizar 10.000 UI diárias que não causarão nenhum risco, muito pelo contrário, trarão inúmeros benefícios na prevenção de diversas doenças graves muito comuns (inclusive doenças psiquiátricas, cardiovasculares, hipertensão e diabetes) e na capacidade de controle emocional, aprendizado, memória e raciocínio. Para aqueles que sofrem de alguma doença autoimune, essa dose trará um alívio parcial, mas não eliminará o problema. As doses maiores somente podem ser utilizadas com acompanhamento médico e com o resultado da análise laboratorial para que não seja ultrapassada a dose apenas necessária para compensar os efeitos da resistência genética aos efeitos reguladores da vitamina D sobre o sistema imunológico. Por outro lato, não falamos em cura, mas sim em efetivo controle da doença para que o indivíduo possa ter uma vida normal, livre do acúmulo de sequelas, desde que sustente o tratamento que atualmente é proposto por tempo indeterminado.

>>Gostaria de destacar algo para concluir nossa entrevista?

Tenho esperança de que a importância da correção da pandemia da deficiência da vitamina D venha a ser logo realisticamente valorizada pelo sistema de saúde nacional. Atualmente cerca de 85% dos bebês no Brasil estão nascendo com deficiência de vitamina D. Isso é uma tragédia que os deixará vulneráveis ao longo de toda a vida a várias doenças alérgicas, autoimunes e metabólicas devido a um fenômeno cuja importância para a saúde humana encontra-se já reconhecida pela ciência moderna – chamado epigenética. Devido ao hábitos do ambiente urbano, nem sequer o ensolarado Nordeste Brasileiro é poupado dessa tragédia, que terá repercussões para toda a vida do indivíduo. No Nordeste a situação é piorada pelo fato de que 50% ou mais da população vive próxima a um esgoto a céu aberto, onde todo o material descartável é jogado pela falta de um sistema de coleta de lixo, formando recipientes encalhados nos detritos que propicia a água parada para o desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor de Zika, Dengue e Chikungunya.

Ao longo do último trimestre da gestação e dos primeiros 3 meses de vida pós-natal o cérebro se multiplica várias vezes em volume e peso. Essa fase é chamada de “surto de crescimento cerebral”. Qualquer privação de nutrientes ou outras substâncias fundamentais para o desenvolvimento do sistema nervoso nesse período terá repercussões para a função cerebral que se sustentarão ao longo de toda a vida do indivíduo. Trata-se de uma chance única, uma janela de oportunidade que nunca mais irá se repetir. Se o sistema de saúde fornecesse pelo menos 7.000 UI de vitamina D por dia para as gestantes, além de evitarmos diversos problemas gestacionais (como abortos espontâneos, hipertensão e prematuridade), poderíamos ter uma geração de crianças com alta capacidade de aprendizado escolar – muitas delas de fato superdotadas. Revolucionaríamos o sistema educacional a médio prazo e teríamos uma geração de indivíduos altamente capazes de produzir tecnologia de ponta: um verdadeiro salto quântico para o futuro que de outra forma seria somente alcançado em séculos.

Veja no vídeo a seguir: entrevista com Dr Cícero Coimbra - Zica Vírus